Tempos Estranho

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Vivemos em tempos estranhos. Essa frase tão comum entre velhotes, e fãs de Led Zeppelin (perdão pela redundância) está cada vez mais presente no meu vocabulário. Não, não estou falando de música, essa já me atropelou há tempos, desde que eu decidi que gostava de Björk (essa ainda tem trema) e de Slayer praticamente do mesmo tanto. Na verdadea música já não me inspira mais escritas, algumas bandas me fascinam, no entanto ainda acho que falar sobre música se torna cada vez menos inspirador. Num mundo onde uma banda de rock como White Stripes é pop e Djavan é indie, fica complicado falar que uma coisa é pop, indie, rock, eletrônico. 


Esses conceitos morreram, não valem mais nada. É tipo no Winamp. Na parte em que vc vai editar as tags (informações da música que aparecem na playlist) há inúmeros estilos musicais listados, e um bem incomum chamado Primus. Primus é uma banda que surgiu na metade dos anos 80  nos EUA e a base de seu som é a mente perturbada de Les Claypool. Nada se compara ao Primus. Não que eles sejam a melhor banda do mundo (pelo menos pra mim não) mas eles são os únicos que fazem o som que eles fazem, coisa que poucas bandas podem dizer hoje em dia. Ainda assim essas bandas não muito originais tem características próprias e claro,  existem muitas bandas que são originais. Nessa confusão o que se pode observar é uma fragmentação tão grande de estilos, de vida, musicais, de se vestir, que na verdade, me arrisco a dizer, que não há mais estilo algum. Somos turistas em nossa casa, como diria aquela banda dos anos 80 (quero ver quem lembra).

A vantagem nessa história de fragmentação é que a meritocrácia fica a um passo de funcionar, já que pessoas só vão consumir o que realmente querem e tendo diversas opções essas pessoas podem, cada vez mais, se ver livres da imposição da moda, certo? Humm, sei não. Tem outro lado. Do lado de lá, fica cada vez mais fácil influenciar nossos adolescentes e suas cabecinhas ocas. Veja bem, quem é Marymoon? Uma menina bonita (pelo menos imagino que ela seja, não dá pra ter certeza com tanta maquiagem e adereços) com cabelo chamativo e roupas de gosto duvidoso, pelo menos pra quem tem 20 anos ou mais, mas que chama a atenção de crianças e adolescentes (sempre eles). Fora isso? Apresenta um programa deveras inútil e nem de longe legal. Ela foi parar na televisão através de um blog com fotos narcisistas. Marymoon é uma garota com mais cores que um pacote de m&m's. Não, não faz sentido algum.

Acho que foi isso que os fãs de Led Zeppelin, lá do começo do texto não entenderam quando criaram o mirc, os sites pornográficos, e-mail, mp3 etc e tal. Acho que por isso muitos deles viraram advogados, contadores, dentistas... Acho que é isso que está acontecendo comigo. Acredito que essa falta de sentido no nosso dia a dia é que nos deixa perdidos. Não dá pra ser moderno o tempo todo, todos nós temos nosso limite, acho que minha evolução chegou no estágio máximo. Com menos de dois meses para os trinta a única coisa que eu consigo pensar é que hoje, eu me sinto tão deslocado, quanto aos 15. O que é uma merda, pois agora eu não posso ter crises, e ficar na cama em dias que não estou disposto a encarar o mundo lá fora. Minha mãe não lava, passa e arruma minhas coisas. Agora da adolescencia só me resta aquele sentimento de não estar no lugar certo.

Carpe Diem

6 Decifradores:

Leo Santana disse...

É que o seu lugar (nosso) é no palco, com o som no talo e o suor pingando da testa.

Polim disse...

Seu lugar está sempre guardado no meu coração-ão-ão!!
;)
:*

Ulisses Henrique disse...

Concordo com os dois!

Opniões e Debates! disse...

É tbm tenho esses sentimentos, vazio, estou pensando em escrever sobre esse tema tbm. Bravo!

Dani Amatte disse...

eu desejo q vc não vire dentista daqui 10 anos.
rsrsrsrs

o nome disso é crise dos 30.

La disse...

Bem vindo à vida adulta! :P